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Bom, você conhece aquela estória de “criar um problema para vender uma solução” , não conhece? Pois bem, vou fazer uso de um acontecimento passado na minha roça para comentar este assunto.

O personagem central de hoje é uma praga. Não se trata daquele tipo de praga que as bruxas rogavam nas estórias contadas pelos Irmãos Grymm – como a do Chapeuzinho Vermelho – mas a praga (um inseto voador) que causa prejuízos à produção de carne, leite, cana-de-açúcar, milho e outros: as cigarrinhas-das-pastagens (Cercopidae). Sempre existiu, no Brasil, a cigarrinha, mas não chegavam a prejudicar sensivelmente a produção por que não eram tantas assim (baixa infestação) até que…

No Brasil na década de 60, juntamente com muitas outras soluções trazidas pela tecnologia conhecida como “Revolução Verde” para aumentar a produtividade das atividades rurais brasileiras, foi trazida uma gramínea forrageira (planta usada para formar pastos para vacas e bois) a Brachiaria Decumbens, uma gramínea forrageira rústica, pois ela se adapta bem em locais e climas diferentes. Foi um sucesso!

A área necessária para alimentar um animal de 450 kg de peso passou de 6 a 8 ha de área pastagem nativa para entre 1 e 2 ha de pasto plantado.
Como não podia deixar de ser, esta gramínea forrageira teve uma alta aceitação por parte dos pecuaristas. Acontece que a nossa “cigarrinha” adorou a tal da Brachiária e atacou os pastos, migrou para as lavouras de milho e arroz próximas às pastagens infestadas pelas cigarrinhas reduzindo aquela excelente produtividade, definhando e mesmo matando as plantas.

A infestação (em nosso caso da cigarrinha) é um problema que pode acontecer ao se introduzir qualquer solução exótica (toda espécie planta ou animal que não é natural do local onde está sendo incorporada), por ela não ter um predador para fazer o controle natural do crescimento das populações dos insetos, ou por poder provocar um desequilíbrio ecológico, outros. É por esta razão, como “tudo tem dois lados”, que não se recomenda fazer o plantio em extensas áreas de monoculturas: na agricultura esta escolha permite explosões populacionais de insetos; e daí a necessidade de inseticidas.
Dá para ficar sem inseticidas? Dá! Usa-se sementes transgênicas (com o risco de comprar um milho que não é mais aquele milho usado para fazer o fubá da vovó) ou, se escolhe plantas não suscetíveis à praga ou, usa-se uma técnica e cuidados para com a plantação como as propostas para produtos com produção natural, orgânicos…